Ultimamente, os premiados de Cannes não têm tido vida fácil em Holywood. Os filmes que levam o Palma de Ouro não conseguem grandes bilheterias. Parecem lhe faltar apelo comercial, o que para a indústria do cinema americano é crucial.
Entre os Muros da Escola, que levou o prêmio de melhor filme no ano passado teve pouca ou nenhuma repercussão nos Estados Unidos, exceto ser o representante francês na categoria de melhor filme estrangeiro do Oscar. Em termos de bilheteria, um fracasso. Em 2000, Lars von Trier foi ovacionado em Cannes por Dançando no Escuro, mas causou indiferença no outro lado do atlântico.
O último filme americano a vencer um Cannes foi Elephant. Arrecadou apenas US$ 1 milhão nos Estados Unidos, o que é pouco demais para o maior mercado consumidor de cinema do mundo. Até o elogiado Pianista do diretor Roman Polanski, vencedor de Cannes em 2002, e oscar de melhor ator para Adrien Brody rendeu nos Estados Unidos pouco mais de U$ 32 milhões, quase um fracasso para os padrões dos grandes sucessos.
Portanto, importa Cannes? Sim, na medida que temos outros tipos de filmes que não são só pensados para ser transformados em milhares e milhares de cifras. E não, se Cannes continuar a privilegiar filmes difíceis ao grande público… Dilema, né? Em que lado você fica?
Acho que talvez este seja o único blog de cinema que ainda não teceu sequer uma linha sobre o campeão de Cannes, mas é que o tempo anda a passos largos nos últimos dias, fato que explica a ausência total de qualquer pitaco meu sobre o festival.
Primeiro, vou repetir o que ando comentando em outros blogs: a edição de 2009 ficou devendo! Todo mundo esperava com ansiedade a estréia dos badalados Almodóvar, Tarantino, Lars von Trier, mas a crítica não se animou, o que acabou servindo como uma ducha de água fria em quem ainda não teve a oportunidade de assistir e queria saber a opinião de quem já viu.
Marcado por filmes escuros e temática intimista, o Festival de Cannes teve como vencedor o filme Fita Branca, do diretor Michael Haneke, rodado em preto e branco que conta a história de um vilarejo no interior da Alemanha de 1910 que começa a sofrer alguns acontecimentos anormais para o local.
Haneke já fez o excelente Funny Games – Violência Gratuita e pelo enredo de Fita Branca parece ser bem interessante. Adjetivo esse que não pôde ser empregado para o Festival de Cannes como um todo. Aguardamos o de Veneza, que deverá ser bem mais atrativo, em termos de premiação para o Oscar.
Já disse aqui que aposto em 500 Dias de Verão para ser a principal investida dos estúdios Fox Search Light para a temporada 2009? Então, reafirmo o chute que é totalmente arbitrário, mas se seguir a lógica dos anos passados não tem como errar. Vejamos:
- elenco bonitinho
- como pano de fundo, uma bela história de amor
- forte influência da trilha sonora durante o filme
- final que deixa a platéia feliz da vida
Não foi mais ou menos assim que aconteceu com Pequena Miss Sunshine, Juno e Quem quer ser um Milionário? Receita tão velha, quanto infalível! Não tem porque ser outro filme. 500 Dias de verão vai contar o período de namoro de um casal que poderia ser você com seu amor. Eles fazem de tudo para que você se sinta na mesma situação dos personagens. Assim, não tem como não agradar. Verão e namoro, não é que a metáfora é bonitinha mesmo?
Hoje, em Cannes, foi dia da aguardada estréia de Inglourious Basterds, novo trabalho de Quentin Tarantino. Antes de falar qualquer coisa sobre o filme, fato é que o cultuado diretor já não é mais tão alternativo assim, como proclamam seus fãs. Não vejo absolutamente nada de errado em contar com a estrutura dos estúdios da Universal, nem possuir o astro Brad Pitt no elenco.
Quentin Tarantino é um dos diretores de cinema mais diferenciados da atualidade. Não aproveitar a estrutura holywoodiana para a progressão de seu trabalho, seria limitar a genealidade dele, sempre tão ancorada na incrível capacidade de mesclar bacanas referências do mundo pop sem cair no superficialidade da coisa.
A crítica, em sua maioria, elogiou o resultado final de Inglourious Basterds, sobretudo, a atuação de Brad Pitt e, principalmente, a forma como a história foi conduzida por Tarantino. Muitos se surpreenderam com o resultado já que esperavam algo mais descompromissado.
Estaria, então, Tarantino fazendo filme para agradar ao mercado? Antes que começassem a questionar sua integridade, o diretor saiu pela tangente ao afirmar que é um cineasta que faz filmes para o planeta Terra. Curiosamente, é o único diretor americano na mostra competitiva de Cannes deste ano.
Não tenho acompanhado o Festival de Cannes como gostaria, mas desde ontem blogs e sites especializados em cinema só falam na repercussão causada pelo novo filme de Lars von Trier, o Anticristo. A crítica ficou dividida entre aplausos e vaias. Enquanto alguns acharam o filme ousado, outros [a maioria] abominaram as cenas de autosadismo e terror que varia entre o macabro e o trash.
O mais legal da história foi a reação de Lars. Simplesmente ignorou tudo que falam de mal sobre seu filme ao afirmar sem nenhuma modéstia. “Não tenho que me justificar. Eu faço filmes e isto é fruto da vontade de Deus. Além disso, sou o melhor diretor de cinema do mundo”.
Não acredito que Anticristo venha a se tornar um blockbuster, mas só o fato de desprezar a opinião da crítica revela que o diretor não está preocupado em fazer filmes que agradam o mercado. Esta atitude corajosa para os padrões atuais seduz os telespectadores e justamente por isso, deverá atrair um público curioso para seu novo trabalho.
Ao propor a arte pela arte, o diretor quebra a noção que temos hoje de sucesso, muitas vezes medida pela quantidade de cifras geradas. Lars disse que Anticristo foi um trabalho terapêutico para se recuperar de uma depressão que sofreu há dois anos. Isto é, não tem a pretensão de agradar ninguém, se não o próprio diretor. É mais ou menos aquela idéia bem egocentrista da qual utiliza o seguinte argumento: Se agradou a mim que foi eu que fiz, ok. Não agradou você? Sem problemas. Está cheio de filmes que atendam suas expectativas de final feliz. Concordo com ele!
Saiu hoje o primeiro trailer do aguardado filme de Guy Ritchie: Sherlock Holmes. Adorava, quando criança, ler as histórias misteriosas do detetive mais famoso do mundo. No vídeo, chama a atenção a adaptação de Londres e a edição rápida e moderna do diretor. Conta a favor, a presença dos atores Robert Downey Jr, Jude Law e Rachel Adams. Estréia no natal.
Parece ser um daqueles filmes pré-destinados a ganhar toneladas de prêmios…
Filme americano adora enfatizar que, quando criança, todo mundo tem um amigo imaginário. Nesta temporada, Where The Wild Things Are e Gooby vão trazer vida a seres inanimados para contar a amizade entre garotos e monstrengos, sejam eles simpáticos ou nem tanto…
Quem de nós nascidos na década de 1980 sabe o que representou Wilson Simonal no cenário musical brasilerio? Sim, a gente ouve falar de Roberto Carlos e músicos da Jovem Guarda, Tropicália e Bossa Nova. Mas Wilson Simonal pouca vezes é lembrado. Minha ignorância musical me limitava saber que era pai de Simoninha. Só! Tsc, tsc, tsc, muuuito pouco… além de cantor de sucesso, foi apresentador de TV, comediante e tinha uma capacidade de comunicação que olha, deixa muita gente de televisão de hoje no chinelo.
Do sucesso para o ostracismo. Foi assim a vida de Simonal desde que denunciou de roubo o ex-contador para o DOPS na época da ditadura. Aí, a carreira de sucesso foi para o lixo. Ficou tachado de dedo-duro no meio artístico que simplesmente o segregou. Simonal morreu de fato em 2000 por cirrose, mas desde de 1971 era um morto-vivo.
Falo tudo isso porque ontem assisti ao bom documentário Simonal: Ninguém sabe o duro que eu dei, que estreiou nessa sexta-feira. O mais legal é que é o próprio telespectador quem tira as próprias conclusões. O ponto alto vídeo fica por conta do momento em que o ex-contador fala sobre o que tudo aconteceu, segundo sua versão. Certo ou errado? Nem 8, nem 80… Vale a pena assistir!
Há alguns dias, eu postei uma monte de cartazes de filmes que estão participando do Festival de Cannes. Aí, fui atrás de um que mais me chamou atenção: Map of Sounds of Tokyo. A surpresa maior foi descobrir que a direção e o roteiro do projeto é da espanhola Isabel Coixet, cujo trabalho acompanho desde o instigante A Vida Secreta das Palavras. Depois disso, vi também os curtas que integram Invisibles, um projeto super bacana para mostrar o trabalho da organização Médicos Sem Fronteiras e Paris, te amo.
Um outro filme dela que quase passou desapercebido, mas eu gostei bastante é Fatal. Tem Penélope Cruz e Ben Kingsley em atuação emocionante. Quem não assistiu, recomendo.
Pois bem, agora Isabel Coixet está em Cannes com o filme Map of Sounds of Tokyo. Com a atriz Rinko Kikuchi, a japonesa de Babel, tá lembrado? Agora ela tá mais moça…
Não sei o motivo, mas a beleza oriental e – particularmente – a cidade de Tóquio sempre me chamaram a atenção. O trailer tá logo aqui embaixo e pelo cuidado com a produção, a fotografia e especialmente a trilha, parece que é um belo filme.
Rolou na noite desta quarta-feira o primeiro preview do musical Nine, repleto de astro e estrelas do cinema [assista e veja as feras que fazem parte do casting]. Pelo vídeo, o filme promete BASTANTE.