Milk – A voz da igualdade

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Antes de dizer qualquer coisa sobre o filme, primeiro de tudo vem Sean Penn. Elogiei aqui ontem Mickey Rourke pelo brilhante trabalho em O lutador, mas Penn está acima da média como Harvey Milk. É algo parecido com o que aconteceu com Marion Cotillard ano passado em Edith. Uma interpretação irrepreensível que certamente ficará na lembrança por muito tempo.

Mas o conjunto da obra é um primor. O que seria de Sean Penn se o trabalho minucioso de cinco anos de pesquisa do roteirista Dustin Lance Blank não fosse espetacular ou se a direção de Gus Van Sant não beirasse a perfeição? Ok! Rasgação de seda? Assista e verá!

Essencialmente político, Milk é um drama que conta a história do ativismo gay em São Francisco, liderado por Harvey Milk. Preocupado com o jeito da sociedade encarar o homossexualismo, decidiu se candidatar ao cargo de supervisor sênior de São Francisco na tentativa de criar uma mobilização em torno dos direitos dos homossexuais. A dificuldade de convencimento dos próprios gays não diminui as esperanças de Milk em um dia conquistar uma cadeira política.

O legal foi perceber a sensibilidade do diretor Gus Van Sant. Quando o filme parece político demais, ele consegue trocar a interface da história e voltar ao cotidiano da Rua Castro, reduto de gays de São Francisco, e vice-versa. O modo como ele faz isso é tão sutil que a um telespectador mais desavisado passa desapercebido.

Outro ponto a favor de Gus Van Sant é o cuidado em trabalhar os símbolos que representam os homossexuais. Em nenhum momento houve uma imposição do esteriótipo tão conhecido dos gays, ou seja, afeminados com voz de gazela, etc. Nada! Eram homens homossexuais engajados na luta pelos direitos gay.

O filme é mesclado o tempo todo por imagens históricas que casam com o roteiro (ou seria o roteiro casando com a História?) e produz um efeito bem interessante. Apesar da vitória contra a proibição da Proposta 6, que impedia homossexuais de serem professores, Milk é assassinado sem chances de defesa em seu gabinete por um desafeto político desequilibrado emocionalmente por causa de seguidas derrotas em votações de leis.

Milk é um grande trabalho de cinema que deve ser visto despido das armaduras do preconceito. Porque você vai ver muito homem com homem, beijo na boca entre eles e algumas afetações. Mais importante que isso, é captar a mensagem de luta por uma causa extremamente justa e necessária. Direito e deveres para TODOS.

As atuações de Josh Brolin, Emile Hirsh (sou fã desse moleque desde ‘Na Natureza Selvagem’) e James Franco parecem ter entrado na vibe de Sean Penn. O elenco de Milk é que deveria ter ganho o prêmio do Sindicato dos Atores, mas preferiram homenagear Quem quer ser um milionário. Milk – A voz da liberdade tem oito indicações, acredito que possa levar em melhor ator e melhor roteiro.

8 respostas para Milk – A voz da igualdade

  1. R. Paschoal disse:

    Mais do que ganhar qualquer prêmio, um filme como este deve ser celebrado, comentado e indicado. O que vale mesmo é mostrar ao mundo que o amor entre duas pessoas do mesmo sexo não é nenhuma perversão.

    Grande abraço!

  2. Humberto disse:

    Adorei a resenha, pra variar, mas Fernandão, não conta o final das próximas vezes, por favor.🙂
    Abs.

  3. cinebuteco disse:

    hehehe, verdade Humberto! Prometo que os próximos filmes vou deixar as surpresas e o final livre dos meus posts, hehehe… Foi mal, mas começo a escrever e me empolgo!!! Mas vou tomar cuidado, MESMO! hehehe…
    Abraço

  4. Sérgio G. Alves disse:

    Já quero ver!

  5. André disse:

    NÃO ACREDITO QUE VOCÊ CONTOU O FINAL DO FILME!!!
    Cortamos amizades right now!😛
    Brincadeira ¬¬
    Aqui em Brasília não estreou.

  6. Vinícius P. disse:

    De certa forma a morte de Milk já é revelada logo no início do filme, então não foi exatamente um spoiler, hehehehe. Gosto muito de “Milk”, acho que é um dos melhores da temporada e tem chance mesmo de levar esses 2 Oscars.

  7. cinebuteco disse:

    ufa! Obrigado por ter me salvado Vinicius, hehehe… Mas eu tb já sabia da morte dele antes mesmo de assistir o filme e ainda assim foi uma grata surpresa tê-lo assistido.

  8. […] Torres CINEMANÍACO Diego Rodrigues CINEMANIA Felipe Rocha INDUBITAVELMENTE Fernando Império CINEBUTECO Gustavo Bezerra FINA IRONIA Kamila Azevedo CINÉFILA POR NATUREZA Lucas Garcia LISTEN TO THE […]

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