Valsa com Bashir

Estréia neste fim de semana no país, o excelente documentário Valsa com Bashir. Tive a oportunidade assistí-lo em outubro do ano passando, quando ocorreu o Mostra Internacional de São Paulo.

E o que é mais bacana no filme é que o diretor Ari Folman consegue mesclar elementos tão diversos como a animação gráfica em formato documentário para falar de um tema pesado que é a guerra entre judeus e palestinos. O resultado agradou a muita gente, menos a Academia, que preferiu o japonês Departures na categoria filme estrangeiro , configurando a maior zebra do Oscar deste ano.

Segue abaixo, a crítica do filme:

O documentário Waltz with Bashir é até o momento o vídeo mais interessante que eu vi desta discreta 32ª edição da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. O projeto é ambicioso e ao meu ver, consegue atingir seus objetivos.

A história é toda construída em desenho (animação e arte fantásticas!) e conta a história do massacre do povo mulçumano do Líbano feito pelas tropas israelenses na década de 1980.

Não é preciso saber da história dos livros para entender a mensagem do diretor judeu Ari Folman, mas é claro que ajuda se você quiser se aprofundar mais sobre o assunto. As tropas israelenses invadiram o Líbano, após a morte de Bashir Gemayel, presidente eleito de origem cristã Falangista, minoria no país. A morte aconteceu em uma explosão, um mês depois de eleito e o atentado foi atribuído aos muçulmanos.

Sob o pretexto de prestar apoio aos cristãos da milícia Falangista, o exército israelense invadiu o território do Líbano e provocou a dízima de milhares de muçulmanos.

O legal disso tudo é que a história é contada a partir de um ex-soldado israelense que começa a ter surtos de imagens sobre as atrocidades cometidas e realiza uma introspectiva volta ao passado sombrio com a ajuda de outros ex-soldados que lá também estiveram.

Waltz with Bashir evidencia as irracionalidades de uma guerra. Soldados despreparados destruindo cidades e vidas sem saber muito o porquê. E é aí, que Folman [ele é na vida real um ex-soldado do exército israelense] tenta amenizar a culpa de Israel ao mostrar os soldados quase tão vítimas quanto os muçulmanos do Líbano. Contudo, eram os próprios soldados que assassinavam os milhares de civis indefesos, obrigados a abandonar suas casas e seguir em cima de um caminhão ao destino incerto.

Valsa com Bashir é uma meia mea-culpa. De qualquer forma, o filme só poderia ter sido feito em desenho mesmo. Recriar aquele cenário de carnificina mostrado no final com imagens reais do massacre são de chocar até os mais indiferentes.

No Oscar, além de melhor documentário, Waltz with Bashir poderia perfeitamente ter concorrido a melhor trilha sonora.

3 respostas para Valsa com Bashir

  1. Humberto disse:

    Post perfeito. Vou dar meu jeito de ver o filme.
    Abs!

  2. Vinícius P. disse:

    Fiquei completamente encantado com “Valsa com Bashir”! É daquele tipo de filme que vai te conquistando aos poucos e termina de forma devastadora.

  3. […] CINEMANIA Cassiano Sairaf MUSEU DO CINEMA Jonathan Rodrigues BLOGANIMAZONANDO Fernando Império CINEBUTECO Felipe Rocha INDUBITAVELMENTE Kamila Azevedo CINÉFILA POR NATUREZA Matheus Pannebecker CINEMA E […]

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