A crise do cinema independente

cinema

Na Folha de S. Paulo (aqui para assinantes), o dirtetor de cinema Walter Salles escreveu hoje um artigo bem interessante sobre a crise do cinema independente nos Estados Unidos. A preocupação reside no fato de que nunca os filmes ditos alternativos estiveram em tão mal situação como hoje em dia. Existe a triste constatação que cerca de 90% dos filmes exibidos em Sundance, neste ano, nunca terão exibição no cinema. Vários estúdios fecharam distribuidoras, restrigindo a exibição em apenas poucos festivais.

O que resta para a gente que gosta de cinema? Inovações tecnológicas em 3D? Filmes recheados de efeitos especiais e pouco conteúdo? É só ver o ranking de bilheterias e constatar que boas histórias geralmente não rendem cifras gorduchas; é preciso explodir, desafiar as leis da física, ir contra o impossível, em resumo, ser impactante visualmente.

Existe público para filmes independentes? Eu acredito fielmente que sim. Principalmente nos grandes centros, onde pela quantidade maior de pessoas força a sobrevivência de algumas saletas, destinado ao filmes alternativos. Mas esqueça se você tiver no interior ou ainda se quiser pegar  filmes desse tipo nas locadoras. Simplesmente você não os achará.

Apesar de querer incitar a ida mais vezes ao cinema independente, não dá para culpar o espectador. Até onde eu sei, todo mundo gosta de uma história bem contada, característica típica dos independentes. Portanto, falta mesmo mais divulgação e uma política de incentivos para as pessoas conhecerem melhor o cinema autoral.

Não dá para negar as maravilhas que Hollywood fez e faz pela gente, mas a medida que só privilegia grandes projetos, cujos orçamentos são acima dos 100, 200 milhões de dólares, faz do cinema uma arte elitista, resumida a pouquíssimos profissionais e a histórias direcionadas. Aqueles que por ventura insistirem em filmar, poderão correr o risco de ter que reunir os amigos em casa para mostrar o trabalho ou contar com a sorte de entrar num festival. Como todos sabemos, fazer cinema não é barato e nem sobrevive de esmolas. Mas, do jeito que as coisas vão…

Agradecimento ao Frank, do Drama Kingdom, pela dica.

9 respostas para A crise do cinema independente

  1. Tiago disse:

    É foda! saiu um documentário, recentemente, sobre a vida de Arnaldo Baptista ( aquele da banda Mutantes ), eu estava doido pra ver no cinema esse filme. No entanto, não tem nenhuma sala rodando o filme aqui em Juiz de Fora, MG, QUE É A CIDADE QUE ELE MORA!!!! O cara é um ícone da música nacional e não tem uma sala sequer rodando o filme na cidade dele, já os bruxinhos e os monstruosos Megazordes têm seu espaço… eu fico indignado.

  2. cinebuteco disse:

    Puxa Tiago,

    Tá aí um belo exemplo vivo de tudo que eu falei aí em cima. Na cidade que o cara mora não tem uma sala de cinema para prestigiar o filme que fizeram sobre ele. Isso é cinema independente!!!

    Obrigado pelo comentário,
    Abs.

  3. Claro que existe um público, e eu sou um deles. O Cinema independente sempre será um dos melhores cinemas que existe.

  4. Humberto disse:

    Excelente texto, Fernando.

    Nada contra mega-produções com todos os efeitos especiais possíveis, mas a magia do cinema não está só nisso. Tem de haver espaço para as ideias também.

    Lendo seu post, lembrei do filme “Bem-Vindo à Casa de Bonecas”, já viu? Nunca achei pra ver aqui no Brasil.

    P.S.: OK, queria fazer um discurso imparcial aqui, mas eu sou suspeito. Adoro cinema independente.

    Sobre o filme citado acima: http://www.usp.br/jorusp/arquivo/2003/jusp653/pag16.htm
    ou
    http://ohumbertoexplica.blogspot.com/2008/02/lar-doce-lar.html

    Abs!

  5. Vinícius P. disse:

    Acho que ainda existe um público fiel para esse tipo de filme, que por mais dificuldades que sofra consegue ter seu espaço.

  6. cinebuteco disse:

    Humberto,
    Pelo seu post o filme parece ser bacana, o complicado vai ser achar para alugar ou comprar, né? =/
    E tb fiquei interessado nesse diretor. Pelo tema que ele trabalha, me chamou bastante a atenção. Valeu!

    Vinicius,
    É complicado! Eu acho tb que tenha um público fiel, mas é muito pequeno. Quantas salas de alternativos temos aqui em SP em comparação aos Kinoplex, Cinemarks e etc… muito pouco, o que restringe a exibição desses filmes, o que eu acho uma pena!

  7. […] tempos difíceis para o cinema independente, o festival Cine MuBe – Vitrine Independente tem tudo para ser o principal espaço para os […]

  8. SilvaMatos disse:

    Olá, gostaria de te convidar para participar de uma rede de conteúdo, se tiver interesse me adiciona no msn ocasional80@yahoo.com.br ou me manda um email. Abraços Junior

  9. Malu disse:

    Eu acho que a esperança do cinema idependente mora na internet.

    Eu sei que isso pode parecer estúpido, já que a maioria dos vídeos da internet são bobos, banais ou não parecem contar histórias ou coisas do gênero, mas a verdade é que cada vez mais as portas do cinema convencional se fecham para esses artistas, e quanto menos acesso o público tiver aos filmes independentes, menos interesse se terá nesses, eles acabarão afogados no esquecimento.

    Maas… A internet é livre e dá espaço para os artistas que tem que se aproveitar dela, então quem sabe, com o sucesso na internet, as atenções dos cinemas não se voltem um pouco mais para as não-megaproduções?

    Eu acho que esse é um recurso mal aproveitado, de fácil acesso não só para pessoas em grandes cidades mas em qualquer lugar tendo como única fronteira o idioma (é raro colocarem legendas em, por exemplo, um filme independente francês na internet)

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: