Tarantino e a vingança judia

Um artista consagrado pode surpreender? Tarantino prova que sim. Bastardos Inglórios traz mais uma vez a marca registrada do diretor que é de transformar violência em arte, recheada com referências da cultura pop. Engana-se quem acha que a fórmula está batida.

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Antes de começar, um letreiro com fonte e trilha sonora característicos nos faz sentir num verdadeiro filme de velho-oeste, mas a estória é mais contemporânea: segunda guerra mundial, França. Soldados judeus vão ao contra-ataque de nazistas para evitar o III Reich. O objetivo é dizimar os alemães, assim como fizeram com os judeus. E nisso não há espaço para compaixão: que tal uma dúzia de pauladas de taco de beizebol até estourar os miolos? Ou então cortar o topo da cabeça e deixar o cérebro à mostra?

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Como se percebe, vingança e violência são a marca dos bastardos que não tardam para ficar famosos e – procurados – pelo nazistas. Nesta caça aos judeus, aparece o Coronel Hanz Landa e seu peculiar farejo por encontrar fugitivos. A aparência fútil de Hanz Landa esconde na verdade um habilidoso assassino de judeus.

Na outra ponta da estória, está Shosanna Dreyfus, judia escondida no interior da França fugida para Paris, depois de ver toda sua família morta pelo mesmo Coronel Hanz Landa. O sentimento de ódio fica dormente até que o cinema onde toma conta, acaba servindo de local para exibição de uma sessão premiere para importantes líderes do nazismo, entre eles, Hitler e Goebbels sobre um filme que mostra as atrocidades contra judeus, feito por um jovem ator influente na diretoria nazista e que por coincidência passou em frente do cinema de Shosanna, apaixonou-se pela moça e quisera que ali fosse o local de sua estreia.

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A grande noite no cinema de Shosanna está cheia de arapucas para os nazistas, armadas tanto pela dona que não se importa nem um pouco de pôr abaixo o cinema e também pelos bastardos que não sabiam da existência dos planos de Shosanna. Destaque para o diálogo em italiano. A melhor cena do filme! E então, o que aconteceu nesta noite tão especial? Assista e discuta aqui no blog!😉

[SPOLERS!]

Um recurso muito interessante utilizado por Tarantino em seus filmes e de forma bem peculiar em Bastardos Inglórios é o uso de parênteses na linha principal do enredo. Seja um pensamento de um personagem ou um fato que ocorreu no passado, o diretor não titubeia. Pára a estória principal, conta geralmente com humor ou sátira o que tem que ser explicado e volta na trama como se nada tivesse acontecido. Uma sacada muito bem feita que apesar da violência excessiva do filme (lembra do dedo na ferida aberta pelo tiro de revólver na perna da atriz Bridget von Hammersmark?) consegue ser cômico (impágavel o mimado Hitler dizendo No! No! No!) e cheio de ação no final (com o cinema indo abaixo).

Na minha opinião, Tarantino consegue fazer algo tão ou melhor que Pulp Fiction e Brad Pitt está muito bem no papel do Capitão Aldo Raine. Contudo, merece atenção mesmo nesse filme é Christoph Waltz no papel do Coronel Hanz Landa. Ele certamente tem muita chance de levar o Oscar como melhor ator coadjuvante. Olho nele!

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O CineButeco considera até agora o melhor filme da temporada e recomenda a ida ao cinema.

Nota: 10,0.

12 respostas para Tarantino e a vingança judia

  1. […] Tarantino e a vingança judia « CINEBUTECO cinebuteco.wordpress.com/2009/10/14/tarantino-e-a-vinganca-judia – view page – cached Um artista consagrado pode surpreender? Tarantino prova que sim. Bastardos Inglórios traz mais uma vez a marca registrada do diretor que é de transformar violência em arte, recheada com… (Read more)Um artista consagrado pode surpreender? Tarantino prova que sim. Bastardos Inglórios traz mais uma vez a marca registrada do diretor que é de transformar violência em arte, recheada com referências da cultura pop. (Read less) — From the page […]

  2. luis galvão disse:

    como você disse, tarantino é o único diretor capaz de transformar violência em arte da forma mais natural possível. Talvez seja meu filme preferido depois de Kill Bill, mas sem dúvidas que está entre os 30 melhores da década. E Quentin mais uma vez enrraizando sua fama de ser um dos diretores mais influêntes vivos, e que continua a espalhar sua filmografia ótima por todos os lados. E com um ótimo elenco (realmente vejo muitas chances de Waltz ganahr o Oscar), trilha sonora perfeita, e fotografia idem, o filme é a melhor estréia do ano até agora.

  3. quando terminei este filme no cinema tive a sensação de estar presenciando o nascimento de um clássico do cinema de minha época, o filme é absolutamente perfeito!

  4. Graziela disse:

    Esse, estou só esperando ter um pouco de tempo para poder conferir. Até o momento, só ótimas referências.
    Ah, e, finalmente, assisti ao Anticristo.
    Não tenho vasto conhecimento sobre cinema como vc, mas, assim que der, escrevo algo sobre ele lá no blog.
    Só posso adiantar que Lars Von Trier me deixou de boca aberta. Anticristo é incomparável, magnífico!

    Abs

  5. cido69 disse:

    Assisti Bastardos hoje e só tenho coisa boas pra falar também. Realmente a cena do diálogo em italiano é a melhor do filme, ri muito no cinema com o arrivederci do Brad Pitt, que me impressionou nessa filme como uma atuação digna de prêmios. Cristoph Waltz também dá um show de atuação no filme. Pra finalizar, mas um filme brilhante de Quentin Tarantino, a quem eu só posso elogiar.

  6. Dewonny disse:

    Verei em breve, ainda ñ foi possível!

  7. […] Império CINEBUTECO “Um artista consagrado pode surpreender? Tarantino prova que sim. Bastardos Inglórios traz […]

  8. Amanda Aouad disse:

    É sem dúvidas, um grande filme. O diálogo em italiano é mesmo incrível, engraçadíssimo. Brad Pitt e seu italiano macarronico, Christoph Waltz e sua ironia ferina. Muito bom.

  9. Santiago. disse:

    Para mim, é no momento, o melhor filme da temporada, inclusive, com as melhores atuações, e com o melhor roteiro original. Tarantino ao mesmo tempo que subverte a História ao seu bel-prazer em Bastardos Inglórios, faz História nas páginas douradas da sétima arte. Acredito ter assistido um novo clássico do cinema. Parabéns pelo texto.

    Abraço.

  10. […] 4º lugar Bastardos Inglórios: Só poderia sair da cabeça de Tarantino uma história genial daquelas. A arquitetura do roteiro é o ponto forte, entre tantas qualidades. Saiba mais. […]

  11. Paty disse:

    Também prefiro Bastardos Inglórios a Anticristo. O primeiro, eu assistiria muitas vezes. Gosto especialmente da primeira parte, no chalé, quando a tensão é tanta que percebemos desde logo que algo vai dar errado… É entretenimento de primeira. Diversão garantida. Já o segundo é pura arte, porém pesado demais e deprimente. Abs!

  12. cinebuteco disse:

    Concordo contigo!😉

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