A predileção por guerras

Na cerimônia de entrega ao Oscar no próximo dia 07 de março, um filme cujo o título tem a palavra Guerra está entre os favoritos. Guerra ao Terror levou 9 indicações e há fortes razões de que o filme seja o grande vitorioso da temporada 2009.

Mas não é de hoje que a Academia adora filmes sobre guerras. São inúmeros os títulos e de diferentes abordagens. O impeto americano em explorar terras alheias está de certa forma impregnada na identidade cultural dos Estados Unidos e mesmo quando não se dão bem na disputas – pelo menos no cinema – dá-se um jeito de dizer que venceram a batalha.

Um amigo do mundo real me mostrou sua tese de doutorado na USP que está por finalizar. No trabalho, ele estuda o diretor de cinema Robert Altman (M*A*S*H*, NashVille, Shorts Cuts e Gosford Park) e faz uma relação bastante interessante entre cinema e política no governo de Ronald Reagan.

Ele me deu de presente M*A*S*H (1970) e ontem fui conferir. O filme é uma comédia muito peculiar sobre uma equipe médica junto ao fronte de batalha na Guerra da Coréia. M*A*S*H é a sigla de (Mobile Army Surgical Hospital) que identificava os hospitais móveis do exército norte-americano.

Não há em quase duas horas de filme qualquer batalha. Se quer vemos o inimigo. Robert Altman foca a história ali no hospital para mostrar ao telespectador como seria o cotidiano daqueles que foram pra guerra, mas não estão em batalha, pelo menos não diretamente.

A sátira recai justamente no falso moralismo das hierarquias militares, no escracho como são lidadas os relacionamentos entre superiores e comandados e no prazer (se é que ele existe) de vivenciar a experiência de estar numa guerra. Os médicos do M*A*S*H parecem se divertir e não medem esforços para deixar o ambiente mais engraçado, criando arapucas para amigos e adversários, no melhor estilo de moleques peraltas.

O interessante de M*A*S*H* é identificar nele uma comédia aparentemente inocente, mas encontrar nela diversos pontos de crítica à política bélica norte-americana e evidenciar, caso alguém desconhecia, a podridão de um sistema militar hipócrito.

Nota: 9,3/10.

3 respostas para A predileção por guerras

  1. Realmente esse é um grande filme de Altman. Ele utiliza todo o seu esmero narrativo para renovar a forma como o cinema americano registra a guerra e mostrar que os melhores comentários políticos advém do humor. Belo texto! ABS

  2. Pode parecer bobeira, mas eu não suporto filmes de guerra. Ainda mais quando envolvem os EUA. Prefiro a sanguinolência de Planeta Terror ou Pânico… rs

  3. cinebuteco disse:

    Rafa,
    Filmes de guerra são ótimos se vc quiser entender um pouco de ideologia da política norte-americana, caso contrário, a maioria é um saco mesmo…

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