Cinema em casa: Festim Diabólico

Dando sequência a filmes de Hitchcock, hoje conferi Festim Diabólico, mais uma bela sacada do diretor que uniu assassinato e tensão num ótimo suspense.

O filme conta a história de Brandon e Philip, dois jovens amigos de escola que resolvem matar um terceiro colega, David Kentley, por se considerarem superiormente intelectuais a ele. Brandon e sua mente perversa resolve elaborar toda uma cena para valorizar ainda mais o assassinato. Tudo porque seu professor de colégio, Rupert Cadell, havia dito que terminar com uma vida é tão fabuloso como criar uma.

E assim, na mesma sala onde mataram David Kentley, Brandon e Philip resolvem esconder o corpo dentro de um baú. Só que detalhe: algumas horas depois haveria naquele mesmo ambiente uma festa para convidados excêntricos, entre eles, o pai e a namorada de David.

Para deixar a história ainda mais macabra, Brandon decidi transferir os pratos da festa da mesma de jantar para a tampa do baú. Philip fica atordoado e não consegue disfarçar o nervosismo. As pessoas chegam no apartamento (que tem uma janela com visual incrível), inclusive o tal professor comparece ao evento. Apenas um convidado não chega: David Kentley, quer dizer, ele já estava lá, só que morto e ninguém sabia.

As cenas que se seguem são de pura tensão, com vacilos dos asssassinos que deixam Rupert com a pulga atrás da orelha. Os diálogos vão esquentando a cada minuto que passa até o gran finale. Festim Diabólico é datado de 1948 e tem alguns pontos interessantes. O filme com duração de 81 minutos se passa inteiro dentro do apartamento, sendo todo ele na sala-de-estar. Hitchcock poderia ter feito um filme gay? Muita gente vê uma relação de homossexualidade entre Brandon e Philip, embora de forma muito sutil, afinal, lembrem-se: o filme é de 1948 e nesta época, temas como este não era abordados tão abertamente.

A questão da superioridade, inferioridade das pessoas também é um outro tema bastante interessante se contextualizado à época das filmagens, em que a Segunda Guerra tinha recentemente acabado e o nazismo tinha sido derrotado.

Um grande filme, com belíssimas atuações e eu um pouco mais fã de Hitchcock.

11 respostas para Cinema em casa: Festim Diabólico

  1. Lucas Nascimento disse:

    Olá, adorei seu blog e acho que você escreve muito bem. Gostaria de propor uma parceria, também escrevo muito sobre cinema.

    Entre no meu blog e veja o que acha.
    http://lucasfilmes.wordpress.com/

    Abraço.

  2. Vinícius P. disse:

    Outra das faltas que tenho com o cinema do Hitchcock…

  3. cadernosdearte disse:

    Vi há muitos anos. Como já sabia que o filme fora realizado com pouquíssimos cortes, quase todo em planos-sequência, cuja duração era determinada pelo tamanho dos rolos de filme, fiquei prestando atenção para descobrir onde os cortes foram feitos. De repente lá ia a câmera focar um detalhe qualquer por segundos, como as costas de um dos personagens, para que dali fosse retomada a sequência. Muito inventivo. Essa discussão sobre a superioridade e o direito de matar, passa também pelo discurso do Raskolnikov do livro CRIME E CASTIGO de Dostoievski, ou não?

    Um abraço.

  4. Pois é Fernando, esse é um dos meus preferidos de Hitchcock. Genial. O filme é tão bom que seu remake descarado (Cáluculo mortal, com Sandra Bullock) é bom. Não sei se vc já pôde ver essa fita. Nela, essa tensão homossexual que vc aventou é mais bem desenvolvida. Vale a conferida. Nem que seja para confirmar o domínio de Hitch da linguagem cinematográfica.

    ABS

  5. Ops, o nome do filme é Cálculo mortal (saiu errado aí em cima, rsrs). É dirigido pelo competente Barbret Shroeder.

  6. Elton Telles disse:

    Sensacional! Filme realizado completo em plano sequencia, com poucos cortes – acho que apenas 2. Filme tenso e que se aproxima do teatro, embora jamais soe teatral. Câmera de Hitchcock sempre flagrando momentos chaves e o elenco – exceto o sempre péssimo Farley Granger – está em estado de luz. Grande filme subestimado do Mestre do Suspense.

    abs!

  7. cinebuteco disse:

    Vinicius,
    Quando tiver um tempo, assista mesmo, porque é ótimo.

    Antonio,
    Eu tb assisti prestando atenção nos cortes. As cenas eram muito longas, o que exigia alto poder de concentração dos atores…
    Não li o livro CRIME E CASTIGO, não vou poder dizer que se há aproximação ou não, mas era um tema muito em voga na época em que o filme foi rodado.

    Valeu a dica Reinaldo, quero ver esse remake… assim como tem um Psycho de Gus Van Sant. Legal pq depois vai dá pra comparar… Abs!

    Elton, concordo com tudo que disse.

  8. Festim diabólico é um excelente filme, grande ode ao mestre Hitch. Ainda prefiro Pacto Sinistro, mas tá valendo!

    Abraços!
    nossacinemateca.blogspot.com

  9. fábio j. disse:

    muito bom seu blog. dou umas olhadinhas desde que te vi pelo twitter. realmente, uma relação amorosa entre os dois caras é bastante considerada, e ainda há a relação do título original com a história que a tradução fez perder… é a vida. abração!

    fábio
    (cdorock.com / omeudepois.blogspot.com)

  10. Jenson disse:

    Infelizmente, sou muito muito falho com o cinema de Hitchcock! Preciso arrumar isso!

  11. Sou fã deste filme!

    Ele construiu uma atmosfera incrível!

    Parece que o filme segue mesmo sem corte algum…mas houveram uns 9, acho…bastava ver, quando o rolo terminava, a câmera entrava atrás de algum ator..ou descia pra mesa e depois o corte fazia-se sem o telespectador sentir.

    Creio na homossexualidade dos personagens, é bem sutil e quase imperceptível…

    Um filmaço, pra mim um dos mais expressivos de Hitchcock!

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