O Grande Ditador

A nova geração de cinéfilos habituada às modernas técnicas de efeitos especiais, incluindo o fenômeno 3D, deve sentir um certo desconforto em passar mais de duas horas assistindo O Grande Ditador, filme de Charles Chaplin.

Explico: o filme se passa na década de 1940 e possui cenários simples, atuações que mescla o cinema falado com o não-falado e uma comédia inocente, quase macarrônica, mas a gente precisa lembrar que a originalidade está aqui. Foi ele que começou com as piadinhas que hoje achamos bobas. Mas se são tão bobas assim, porque até hoje o seriado Chaves do SBT faz sucesso? E por quanto tempo Didi e a Turma dos Trapalhões reinaram na TV brasileira? Todos eles beberam da mesma fonte: Charles Chaplin.

O telespectador que quiser maior proveito da obra, vai precisar imergir o olhar na época em que o filme foi concebido para entender toda a importância de O Grande Ditador na história cinematográfica.

Charles Chaplin está hilário na caracterização de Hynkel, um arquétipo de Hitler. Os discursos para o público são as melhores cenas. No filme, ele ainda é um barbeiro judeu que sofre nas mãos opressoras do ditador nazista, bem como toda a comunidade judia.

O mérito maior de Charles Chaplin, ator, diretor e também roteirista do filme foi reunir situações engraçadas, românticas e o melhor: corajosas ao criticar Hitler e suas atitudes ditatoriais. Como mencionei ali em cima, o filme foi feito em 1940, isto é, contemporâneo a Hitler. A ousadia lhe rendeu frutos: Chaplin acabou sendo expulso dos Estados Unidos. O discurso que ele profere para a multidão no final é arrebatador e talvez seja justamente este o motivo de sua expulsão. Indicado a 5 Oscars, foi sucesso de público e crítica, o que fortaleceu ainda mais o conceito de gênio do cinema a Charles Chaplin.

12 respostas para O Grande Ditador

  1. Vinícius P. disse:

    Grande clássico que ainda não conferi, bem como boa parte da filmografia do Chaplin. Sei, eventualmente terei que corrigir isso…

  2. Um trabalho extraordinário. Meu primeiro contato com essa obra maior que a vida foi na sétima série. Me fascinei pelo trabalho de Chaplin. Esse, particularmente, é um de meus preferidos desse visionário. Soube como poucos enxergar o quão risível era a figura de Hitler.

    Em tempo: Vc contextualizou muitíssimo bem o filme e instruiu o seu leitor a apreciá-lo no devido espírito. Parabéns Fernando!

  3. cinebuteco disse:

    Obrigado Reinaldo.🙂

  4. Amanda Aouad disse:

    Muito bom, boa contextualização. Há um tempo analisei a cena do globo no Grandes Cenas, após rever essa obra-prima. Foi mesmo um momento genial e de coragem… O cinema agradece.

    bjs

  5. Até Hitler ficou arrasado com o final de LOST…

    I found your entry interesting do I’ve added a Trackback to it on my weblog :)…

  6. Jenson disse:

    Fernando, tudo em ordem?
    É uma das meus maiores pecados cinéfilos!😦 … rs

  7. Thiago disse:

    Opa, tudo bem Fernando? Fazia tempo que não passava aqui, seu blog continua ótimo, com textos muito bons! Parabens, abr😀

  8. Gustavo H.R. disse:

    Acho que o espectador que achar Chaplin anacrônico e inassitível não deve se meter com o cinema, rsrs. Esse filme, bem, é o que é. Coisa de gênio.

  9. cinebuteco disse:

    Disse tudo Gustavo. Abs!

  10. Meu pai adora.
    Qualquer dia eu largo meus seriados para assistir Chaplin ao seu lado!

    Abração, seu Império!

  11. Paulo disse:

    Olá pessoal, para os fãs de Charlie Chaplin, tem uma coleção de filmes completíssima deste gênio do cinema a venda no Mercado Livre: http://produto.mercadolivre.com.br/MLB-443352881-charlie-chaplin-completo-20-dvds-50-filmes–_JM

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